Projeto Eu volto! Caminho de Santiago

Dia 2 de maio, véspera do Dia das Mães em Portugal, embarquei para uma aventura: 10 dias, sozinha, em uma viagem que nos convida a olhar para dentro. Cheguei no Dia das Mães do Brasil. Nada planejado, mas nem por isso menos simbólico.

Fiz parte do Caminho de Santiago. E, pela primeira vez, fiquei mais de uma semana longe dos meus filhos.

Só isso já daria boas histórias para contar. Mas esse projeto não nasceu apenas da caminhada. Ele nasceu de uma pergunta que tem me acompanhado há algum tempo: que exemplo eu quero deixar para os meus filhos?

Minha mãe sempre foi uma mulher que correu atrás dos próprios sonhos. E olhando para trás hoje, percebo o quanto isso abriu caminhos dentro de mim. Ela não me ensinou só com palavras. Ela me ensinou vivendo.

Quando penso no papel da mãe que eu quero ser, e em como os exemplos das minhas escolhas podem reverberar nos meus filhos, penso que também quero abrir caminhos para eles.

Sei que eles estão olhando para mim, assim como eu olhava para a minha mãe. Mesmo sem entender na época o sentido de muitas coisas, foi o exemplo dela que me inspirou anos depois. Foi esse exemplo que me fez virar maratonista quando eu ainda amamentava a Flora.

Não basta falar tanto de coragem. É preciso vivê-la.

O mundo precisa de mais mães realizando os seus sonhos.

As crianças estão vendo.

Me emociono ao pensar que um dia a Flora pode olhar para trás e lembrar que a mãe dela fazia coisas que eram importantes para ela. E que talvez, por isso, ela também vá buscar realizar os seus próprios sonhos.

Foi desse lugar que nasceu este projeto. Da importância de viver os meus valores: coragem e liberdade.

O nome veio quase como uma brincadeira. A ideia inicial era fazer cinco dias de caminho. Depois virou dez. Quando percebi, estaria passando mais tempo fora de casa do que eu tinha imaginado. Isso mexeu comigo. E me trouxe vários gatilhos.

Precisei aceitar, conversar comigo, conversar aqui em casa, reorganizar as coisas e a minha mente. E, com todo o apoio do meu marido, decidi dobrar o número de dias da viagem.

Foi então que pensei: eu vou, mas EU VOLTO.

E assim foi…

Voltei mãe. Voltei esposa. Voltei para a vida que eu amo. E voltei também com novas histórias, novos aprendizados e novas perguntas.

Este espaço nasceu para compartilhar essa experiência. Um bastidor real da jornada, desde a preparação até a caminhada. Sem edição, sem grandes produções e sem a intenção de transformar tudo em algo perfeito.

Compartilhei o planejamento, a preparação, a organização e também a mente de uma mãe que decide realizar um sonho.

Durante o caminho, fiz registros e relatos dos dias, quase como um diário. Uma forma de absorver mais profundamente essa experiência e intensificar a vivência desses dias.

Existe muita informação disponível sobre o Caminho de Santiago. Roteiros, distâncias, equipamentos. Eu mesma pesquisei muito. Por isso, a ideia aqui nunca foi trazer um guia de viagem ou ensinar sobre o caminho.

Mas no fundo, este projeto foi sobre outra coisa.

Foi sobre como cada mulher pode encontrar o seu próprio caminho. E, a partir dele, viver os seus valores, construir os seus sonhos e talvez até descansar um pouco desse papel que tanto amamos, mas que nunca descansa: o de sermos mães.

Às vezes o nosso caminho começa com uma caminhada. Às vezes começa com uma decisão pequena. Às vezes começa apenas com a coragem de admitir um sonho.

Se você está aqui, talvez também exista algo dentro de você que ainda quer nascer ou ganhar espaço. Talvez você esteja vivendo uma fase cheia, com filhos, trabalho, responsabilidades e mil papéis ao mesmo tempo. Talvez esteja apenas curiosa. Talvez já seja uma realizadora de sonhos.

Ou talvez esteja tentando descobrir como construir mais leveza em meio ao caos da vida real.

Não importa.

Se você sentir vontade, é só começar a caminhar comigo. Será muito bem-vinda.

Este projeto é uma conversa sobre coragem, sonhos possíveis, projetos, mulheres e mães.

Quando uma mãe se permite viver os seus projetos, ela abre caminhos para os filhos.

Eu volto!

Marina Rondon.

Coragem, para mim, é quando a nossa fala encontra a nossa ação.


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Marina Rondon | “Sobre Mim, que é também sobre muitas mulheres”


O início.

Em maio de 2026, percorri um trecho do Caminho de Santiago. O Caminho Português que segue pela Costa até Santiago de Compostela.

Foram cerca de dez dias de caminhada, percorrendo aproximadamente 20 a 25 quilômetros por dia, saindo do norte de Portugal e atravessando a costa da Galiza até chegar à Catedral de Santiago.

Comecei em Caminha, uma pequena cidade no norte de Portugal, e caminhei por diferentes vilas e cidades ao longo do percurso, passando por Porto Mougás, A Ramallosa, Vigo, Redondela, Pontevedra, Caldas de Reis e Padrón, até a chegada final em Santiago.

O Caminho Português da Costa é conhecido pela mistura de mar, natureza e história. Há etapas mais curtas, outras mais exigentes, atravessando paisagens naturais, vilas e cidades. De tudo o que li e vivi, é um dos caminhos mais bonitos.

Fui animada com tudo o que ia descobrir pelo caminho. Sobre ele e sobre mim.

Eu volto!

Marin Rondon


A preparação e os treinos.

Abaixo estão os meus treinos e relatos da preparação física, mental e emocional, incluindo a das crianças. Detalhes de equipamentos, da credencial, estratégias de treino, aprendizados da caminhada, erros e acertos de planejamento, ajustes feitos… e tudo o que aparece no meio do caminho da vida real.

E claro, de tudo que deu errado e que, por isso, deu certo.

Locais de treino perto de Lisboa, Cascais e Sintra.

Basta clicar em cada título para assistir aos vídeos. No descritivo há informações importantes e links de endereços sobre os treinos que fiz.

Treino 1

Treino 2

Treino 3

Treino 4

Treino 5

Treino 6


Valendo!

Aqui você encontra um vídeo por dia do que vivi no meu caminho. Relato de cada trecho, da minha experiência, do que vivi, da minha mente, dos desafios e das reflexões.

Lisboa → Caminha

Caminha → Oia

Oia → Ramallosa

A Ramallosa → Vigo

Vigo →Redondela

Redondela → Pontevedra

Pontevedra → Caldas de Reis

Caldas de Reis → A Escravitude

→ Santiago de Compostela